Entrevista: Babi Souza, criadora do movimento “Vamos Juntas?”

Entrevista: Babi Souza, criadora do movimento “Vamos Juntas?”

Fiquei tão apaixonada pelo movimento Vamos Juntas? que resolvi fazer um contato com a criadora dele e para a minha alegria, ela respondeu! 🙂

Babi Souza concedeu uma entrevista para o blog contando sobre o início do movimento, perspectivas e suas percepções sobre os efeitos que já podem ser notados. Sem mais delongas, aprecie a entrevista! Fique à vontade para deixar comentários ao final!

 

Débora Lopes: Babi, acho que podemos começar do começo com você dizendo quem você é! Pode ser? Conta pra gente sua idade, o que você faz profissionalmente, o que você gosta de fazer no tempo livre… enfim, o que você quiser compartilhar!

Babi: Sou Babi Souza, tenho 24 anos e sou formada em jornalismo. Moro com meu namorado e meus 5 filhos (4 cachorros e um gato) rs. Sou de Porto Alegre!

 

D: Eu e a Karina Mendicino somos psicólogas e temos trabalhado juntas para pensar sobre as questões que envolvem as mulheres no Brasil e gerar soluções para problemas que infelizmente são muito comuns, tais como: baixa autoestima das mulheres, desconforto com o próprio corpo, posicionamento em relações amorosas, inserção no mercado de trabalho, medo em uma infinidade de situações… são inúmeras áreas em que nós mulheres enfrentamos dificuldades. A Fanpage “Vamos Juntas?” tem como descrição Na próxima vez que estiver em uma situação de risco, observe: do seu lado pode estar outra mulher passando pela mesma insegurança. Que tal irem juntas?”. Como surgiu a ideia de criar a página, que nós estamos vendo o quanto tem impactado positivamente especialmente no problema que nós mencionamos do medo?

B: O movimento iniciou concretamente no dia 30 de julho, mas digamos que a sementinha dele, dentro de mim, germinava há algum tempo. Sempre fui vista como uma jornalista idealista que tem o sonho de mudar o mundo, e realmente tenho. Não que eu tenha a megalomania de achar que o mundo não viveria sem mil e tal, mas acho que tenho a responsabilidade de “mudar” o MEU mundo e o mundo a minha volta, como acho que deveria pensar qualquer cidadão. Nesse sentido, vinha pensando muito sobre a relevância que eu tinha, não tanto como jornalista, mas principalmente como ser humano, foi quando comecei a estudar e pesquisar sobre colaborativismo e empreendedorismo social. Entrei em contato com a incrível ideia de que as pessoas têm o poder de melhorar as suas vidas através da união e que juntos podemos mais e somos mais felizes. A velha ideia de que a união faz a força e de que ao invés de reclamar dos poderes, devemos nos propor, juntos, a deixar o nosso mundo um pouquinho melhor.

Como já estava em contato com essa forma de ver o mundo, o movimento surgiu como solução colaborativa para um problema real que passamos todos os dias. Tive o estalo no caminho de volta para casa e junto com uma designer fiz um card explicando qual seria a ideia do movimento. O objetivo era postar apenas nas minhas redes sociais para contar essa ideia para as minhas amigas. A repercussão foi tanta que em menos de duas horas pessoas de fora do meu circulo de amizade estavam compartilhando a imagem e perguntando se tínhamos página, aí me senti obrigada criá-la. 🙂

 

D: Na prática, como está sendo seu trabalho com a Fanpage? Existem outras mulheres trabalhando com você?

B: Nesse momento eu cuido da página com a ajuda de três voluntárias que ajudam a administrar os grupos (temos um para cada região do país) e responder mensagens de meninas que contam suas histórias. Recebemos em média 80 mensagens por dia.

 

D: Vimos que surgiram grupos no Facebook divididos por regiões do Brasil para que as mulheres de cada região possam se encontrar em um ambiente virtual para trocarem experiências. Como têm sido esses intercâmbios?

B: Os grupos se tornaram ponto de encontro e discussão para várias meninas. Algumas acabam se conhecendo ali e criam um outro grupo não oficial para a faculdade ou cidade delas.

 

D: Você, sua página ou alguma das suas iniciativas já sofreu algum tipo de “ataque machista”?

B: A página costuma ser super bem aceita e é difícil recebermos comentários machistas. Mas eu, com certeza, como todas as mulheres sinto a influência dele na minha vida. E um dos momentos que isso mais incomoda é justamente quando percebo que nós mulheres costumamos nos considerar inimigas por um pensamento machista de que estamos aí no mundo para competir pela atenção dos homens. 🙁

 

D: Quais são os próximos passos, as próximas ideias em relação ao trabalho em prol da melhoria da vida de mulheres?

B: Estamos trabalhando em um portal que será um encontro de referências e conteúdos sobre os assuntos relacionados ao movimento. Esse portal e a manutenção do movimento será possível por meio de campanha do Catarse.

Além disso, em outubro, começaremos a desenvolver um APP para que as mulheres possam encontrar as amigas que estão próximas. A ideia inicial é que seja um APP de geolocalização que notifique as meninas quando outra menina conhecida ou amiga está próxima a ela a um raio de 1 km. Ela pode formar sua rede de amigas do Facebook ou amigas de amigas do Facebook ou apenas algumas amigas que ela adicionar. Ela consegue visualizar quem é a menina, mas não onde ela está. Se ela sentir confiança na outra menina, tem a opção de iniciar um bate-papo com ela para combinarem de se encontrar e irem juntas.

Quem vai desenvolver o APP para o movimento é a ThoughtWorks, consultoria global em tecnologia de informação que tem como foco o desenvolvimento ágil de software.

 

D: Você classificaria sua página como uma página feminista? Qual a sua relação com o feminismo?

B: Sim, porque trata de um direito básico da mulher que é a segurança. Além disso, ela traz muito a ideia de empoderamento e sororidade, refletindo sobre nosso papel e atitudes na sociedade.

Sempre refleti muito sobre a desigualdade de gêneros e sobre o fato de “ser mulher” acabar sendo usado como justificativa para muitas coisas. Isso me incomoda muito desde criança.

 

D: A grande repercussão do projeto “Vamos Juntas?” parece estar relacionada ao fato de que ele se refere a uma forte demanda das mulheres, você concorda? Como você analisa esse medo de caminhar pelo espaço público que ainda é tão presente nas mulheres?

B: Uma pesquisa que duas meninas do Recife fizeram sobre a página mostrou que 38% das mulheres sentem medo na rua por conta do machismo institucionalizado. O medo na rua, o desrespeito, a desigualdade em casa e no mercado de trabalho tem o mesmo motivo.

 

D: Como tem sido os efeitos desse projeto? Você tem notícias de mulheres que acabaram se tornando mais próximas em função do projeto?

B: Muitas histórias! E a mesma pesquisa que citei ali em cima mostrou que 91% das mulheres que responderam sentiram que tiveram uma mudança de atitude em relação a outras mulheres. <3

 

D: Qual é o maior diferencial do “Vamos Juntas”?

B: Acho que é dar esperança e valorizar a união. Poucas páginas nas redes sociais tem esse objetivo. Além disso, ele trouxe a questão do empoderamento da mulher através do amor, uma perspectiva diferente da maioria dos grupos que dizem buscar igualdade de gêneros e que costumam ser carregados de raiva.

 

Agradeço publicamente a Babi Souza por conceder essa entrevista! Vamos Juntas, todas nós!

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