Você é coadjuvante ou protagonista da sua própria vida?

Você é coadjuvante ou protagonista da sua própria vida?

Texto de minha autoria originalmente postado na Gazeta Míope na coluna de Comportamento.

Adivinha uma coisa que vamos fazer muito por meio da Gazeta Míope? Isso mesmo, vamos nos comunicar! Para a matéria de reinauguração da nossa querida Gazeta resolvi trazer um tema que é campeão do sofá do meu consultório: comunicação. Calma que até o final do texto você vai entender melhor porque a comunicação tem a ver com “ser protagonista da própria vida”. 😉

Seres humanos são seres sociais por excelência. Mesmo quem gosta muito de ficar sozinho vez ou outra sente falta do contato com outras pessoas. Precisamos uns dos outros. Não conseguimos fazer muita coisa se estivermos absolutamente sozinhos-no-meio-do-nada.

Para viver bem uns com os outros, precisamos nos comunicar. Precisamos falar o que queremos, o que precisamos, o que gostamos, o que não gostamos e por aí vai.

“Morreu de quê? -Sufocou-se com as palavras que nunca disse.”

Vejo com bastante frequência pessoas que inferem o que o outro está pensando. Geralmente, essas inferências são negativas, como: “acho que ele não gosta de mim”; “acho que ela ficou chateada com o que eu fiz”; “acho que eles não querem que eu vá à festa”; “acho que pensam que eu sou chata”. Somos péssimos leitores de mentes, afinal, ninguém se provou – ainda – ser um tipo de X-men especializado em clarividência. Por isso, a única forma de tentarmos saber o que o outro está pensando é… perguntando para ele! Claro que essa pessoa pode sentir vergonha ou não querer compartilhar, isso pode levá-la a mentir. Mas aí já é problema dela!

Cada vez mais acredito que pessoas assertivas têm mais condições de serem felizes. Você sabe o que é assertividade? De acordo com o Priberam, é

Qualidade do que é assertivo.

E ser assertivo, ainda de acordo com o Priberam,

1.Que tem caráter de asserção; 2.Que declara ou afirma algo.

Assim, podemos entender que ser assertivo é falar o que é necessário, o que você pensa. Mas cuidado! Não confunda assertividade com agressividade! Na agressividade você pode até falar o que pensa, mas o tom que você utiliza pode distorcer o que você quer dizer e provavelmente irá erguer as barreiras de defesa da outra pessoa, que irá se proteger do ataque. Assim, a comunicação se torna falha mais uma vez, não pela falta, mas pelo excesso.

Na minha opinião, a assertividade anda de mãos dadas com a comunicação saudável. Acredito que a assertividade seja um dos principais ingredientes para sermos pessoas coerentes. Já imaginou como o mundo pode ser melhor se as pessoas forem honestas umas com as outras em vez de ficarem inventando desculpas? Ou em vez de ficarem inventando ou tentando adivinhar o que estão pensando dela? Já imaginou um mundo incrível em que você pode ser feliz e fazer o que quiser – sempre que for possível! – porque você é um comunicador eficiente (sem machucar ninguém, é claro!)?

Imagine a vida assim: quando não quiser a algum lugar, não vá. Quando quiser, vá. Quando quiser fazer alguma coisa, faça. Quando não quiser, não faça. Se alguém te magoar, procure a pessoa para conversar sobre isso. Se pensar que magoou alguém, procure a pessoa para confirmar a sua inferência, pedir desculpas e saber como ela está. Se alguém fizer algo bacana para você, não tenha vergonha de agradecer e mostrar para ele/ela o quanto te fez feliz. Agir assim é libertador e fortalece as relações humanas.

Quando estou no consultório ajudando meus clientes a construírem uma comunicação mais assertiva, vejo o quanto isso é difícil de ser galgado na prática. Em comportamento humano nós usamos a palavra repertório. Repertório é aquilo que nós temos guardadinho em nós, é o que nós sabemos e/ou dominamos, em qualquer área que seja. Quem não tem repertório de comunicação assertiva precisa construir um. A pessoa precisa lutar contra várias amarras sociais até chegar ao final dessa escada. Medo de ser julgada, receio de não ser mais benquista no grupo, tudo geralmente gira em torno da aceitação dos outros. Agindo assim você fica em segundo plano dentro da sua própria vida. Já pensou sobre isso?

Em resumo, esse texto é uma tentativa de te mostrar que:

  • Você pode pedir ao garçom pra trocar a sua pizza que veio com cabelo;
  • Você pode dizer ao seu amigo que você ficou chateado com o que ele fez;
  • Você pode falar que não vai dar pra ir no aniversário do chefe chato – e nem tem obrigação de ficar especificando os motivos;
  • Você pode procurar seus amigos quando estiver triste e precisar desabafar;
  • Você pode procurar as pessoas que ama para celebrar seus momentos felizes e falar das suas conquistas.

Enfim. N exemplos podem ser dados. Comunicar-se de forma assertiva não te faz ser “o chato” ou “a chata”. Pelo contrário. As pessoas – depois que se acostumarem com essa sua mudança! – terão de você a referência de alguém maduro, honesto consigo mesmo e com os outros. E para aqueles que não aguentarem esse “tranco”, sempre vale colocar a questão: essas pessoas realmente valem a pena ou estavam abusando da sua baixa capacidade de falar um “não”, por exemplo? Como psicóloga, não posso deixar de encerrar nossa conversa de hoje com perguntas provocadoras:

  • Você já conseguiu identificar sua posição: coadjuvante ou protagonista?
  • O que você pode fazer JÁ para fortalecer a posição de protagonista da sua vida? A dica do texto é aprimorar sua capacidade de comunicação. 🙂

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