Vamos ligar o seu fofa-se?

Vamos ligar o seu fofa-se?

Texto de minha autoria originalmente postado no Blog Prisma (20/05/19) na coluna de Desenvolvimento

Olá! Você acabou de chegar e eu já vou te sugerir uma pequena pausa antes de seguir comigo para as próximas linhas. Pensa um pouquinho aí e volta logo: quais são os pesos da sua vida?

… (já pensou?)

Pronto? Então vem comigo, jovem, vamos conversar.

Somos sobrecarregados por nós mesmos e/ou pelos outros o tempo todo. Afazeres, obrigações, prazos, boletos, desejos, vontades, expectativas próprias ou alheias. Não bastasse “o que”, jogamos peso sobre nossa cabeça com o “como”. Basicamente, seria algo assim: “aquilo que eu fiz do jeito que fiz — ou o que eu pretendo fazer — será que está uma merd*? Será que eu deveria ter feito melhor? Será que as pessoas estão pensando algo negativo sobre mim por isso? Será que eu deveria ter esperado mais para fazer?Será? Será? Será?”. Eu chamo isso de ruminação.

Vamos colocar os pingos nos is. Não estou querendo dizer que não podemos ou não devemos pensar sobre as nossas ações. Porque feliz é aquele que tem uma boa capacidade de análise!

Análise X Ruminação

Penso que é importante fazermos essa diferenciação para seguirmos alinhados, falando e entendendo sobre a mesma coisa. Até porque em alguns casos a diferença pode ser sutil. Veja as definições de analisar e ruminar (sentido figurado) no Dicionário Michaelis.

Analisar se refere a decompor em partes, investigar, examinar minuciosamente (com detalhes, com cuidado), ponderar. Já o sentido figurado de ruminar se refere a pensar exaustivamente (com cansaço intenso) em um assunto.

Assim, quem analisa algo tira suas conclusões e segue a vida. Em situações futuras, resgata as conclusões dessa análise e pratica a geração de novas conclusões, atualizadas para resolverem as questões atuais.

Quem rumina, não sai do lugar. Sofre e re-sofre com o mesmo assunto, sem achar saída. Não parece muito útil, certo?

Então como combater as ruminações?

Aqui entra o que eu carinhosamente chamo de ligar o fofa-se. Mas o que é isso, Débora?

É sobre se respeitar, ter carinho consigo mesmo, entender os seus limites e os dos outros. Ser uma pessoa fofa — para si em primeiro lugar. Na teoria é algo simples de entender, na prática é um trabalho cumulativo que às vezes a gente esquece. Nós vamos detalhar mais essas ideias daqui a pouco.

A importância do porquê

Vamos voltar a uma coisa que eu disse lá no início: somos sobrecarregados por nós mesmos e/ou pelos outros o tempo todo. Você já se preocupa demais com o que tem que fazer e com o comoMas cadê o porquê? Simon Sinek, palestrante e consultor organizacional britânico-americano, fala a respeito da importância de começar pelo porquê (recomendo o vídeo da participação dele no TED) em seu livro.

O que absorvi sobre as ideias do autor é que quando você se pergunta por que quer ou precisa fazer cada atividade, você sai do automático e dá sentido às suas ações. No caso de negócios, que Sinek analisa, você se conecta com os seus clientes se entende o porquê da existência da sua empresa, produto ou solução. Tem algo mais importante do que fazer com propósito?

E quanto mais particular é o seu propósito, melhor. Assim você realiza verdadeiramente os seus desejos e não o que os outros querem para você ou, pior ainda, o que você acha que os outros querem para você.

Ligando definitivamente o fofa-se

Lembra quando eu te perguntei quais são os pesos da sua vida? Vamos retomar essa ideia agora. O que você se fala por causa desses pesos?

… (pensa aí de novo, eu espero.)

Seriam coisas como:

  • eu sou um burro
  • eu não devia ter feito isso
  • eu não devia ter feito assim
  • eu sou inútil
  • eu não consigo
  • eu não posso fazer
  • eu não sou capaz
  • eu não tenho sorte
  • ninguém se importa
  • eu não sou bom em nada
  • eu não ___________ o suficiente?

Agora imagine que um grande amigo ou amiga, por quem você tem um imenso carinho e cuidado, está passando por uma dificuldade semelhante às que você mesmo descreveu quando te fiz a pergunta. O que você fala para essa pessoa a respeito dos pesos dela?

Te peguei, hein?

Aposto que você é muito mais comedido e tranquilo ao lidar com as dificuldades das pessoas próximas por quem você tem carinho. Ou seja, está faltando um olhar carinhoso direcionado a si mesmo.

Eu vou insistir com você: tenha autocuidado. Sabe por que insisto? Porque também me esqueço às vezes, mas sempre que me lembro de agir assim, agradeço a mim mesma profundamente.

Ame-se. Aprecie a sua existência. Respeite-se. Conheça-se. Se você pode ser uma pessoa super legal para o seu amigo passando por dificuldades, você pode e deve ser essa pessoa por você também.

Ostra feliz não faz pérola

Ostra feliz não faz pérola

Texto de minha autoria originalmente postado no Blog Prisma (06/05/19) na coluna de Desenvolvimento.

Recentemente tive uma conversa com meu marido e duas amigas sobre desenvolvimento pessoal/profissional. Ficamos refletindo por um tempo sobre como “ostra feliz não faz pérola”, como já dizia Rubem Alves.

Sou psicóloga e lido diariamente com os desconfortos dos clientes. Os percalços às vezes emperram, mas em muitas outras empurram o desenvolvimento das pessoas. Vamos esclarecer isso um pouco mais nas próximas linhas!

Qual é o questionamento que te impulsiona mais longe?

Uma das pessoas que atendo me enviou um texto sobre o tipo de perguntas que devemos nos fazer para impulsionar nosso autodesenvolvimento. O ponto principal defendido pelo autor é que nos perguntarmos o que queremos é uma pergunta “fácil”. Há uma pergunta muito mais importante a ser feita e que traz mais informações. Poderia ser resumida em algo como: “qual é a dor que estou disposto(a) a enfrentar para conseguir o que eu quero?”.

O desequilíbrio é inerente ao desenvolvimento

Na ideia de melhoria ou desenvolvimento está embutido que algo não está perfeito, que está incompleto. Não melhoramos aspectos que estejam incríveis, acabados. A sorte agridoce é que nós, seres humanos, somos insatisfeitos crônicos com a vida e temos essa capacidade de sempre vermos um ponto que pode ser aprimorado. Isso pode travar as pessoas com autoconfiança muito baixa para testarem e se exporem às novas propostas que se fazem, por isso o processo para elas demora um pouco mais. Mas para quem está no caminho de se sentir seguro consigo mesmo, é o que impulsiona o autodesenvolvimento.

Sejamos práticos: se está tudo muito bem, obrigado, por que mexer em time que está ganhando? Cortamos caminho, tomamos atalhos, gastamos menos tempo com o que está dando certo.

Se você quer se desenvolver de alguma forma, primeiro precisa entender o porquê. Quais dores você tem hoje que te motivam a pensar nessa necessidade de dar o próximo passo ou mudar a rota? Quais dores você tem disponibilidade para enfrentar nessa jornada? Mudanças, mesmo que para melhor, geram necessidade de adaptação, o que por sua vez pressupõe a existência de um desequilíbrio temporário. Quando estamos em processo de mudança, deixamos de ter o controle parcial e conhecido que tínhamos sobre a situação anterior. Mergulhamos no universo desconhecido das possibilidades que ainda não testamos.

Então me diz: quais desequilíbrios você topa enfrentar para chegar ao seu próximo ponto de equilíbrio? O que isso vai te custar e, ao mesmo tempo, o que te trará como recompensas?

Como é viver em um casamento descomplicado

Como é viver em um casamento descomplicado

Texto de minha autoria originalmente postado na Gazeta Míope (08/03/17) na coluna de Comportamento.

 

Não é de hoje que observo que tenho um relacionamento um bocado diferente dos de outros casais. Para quem não sabe, sou casada com o Marcos Marciano que também escreve aqui para a Gazeta. É claro que nós já nos desentendemos e brigamos muito no passado, mas usamos o tempo e as experiências que ele nos trouxe para aprender a conviver melhor, respeitando a liberdade, as capacidades, as vontades e os limites do outro. Resolvi compartilhar com vocês algumas observações que eu, às vezes o Marcos, fazemos sobre viver em casal.

A primeira coisa: você não é obrigado!

Às vezes Sempre escuto relatos de como é a vida de outros casais

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